26.12.07

De vagar caminho entre o silêncio

De vagar caminho entre o silêncio
sinto a leveza da ausência

caminho sem rumo
apenas o rumor do silêncio
envolve meus pensamentos
o ser esvazia-se
desfazem-se lágrimas
incertezas
ficam perdidas numa bruma
alva melâncolia
que abraça e ameniza
lava a alma
renova energia
... de vagar caminho
sinto-te silêncio
bebo os teus leves rumores
segredos de Anjo
Ele acompanha meus passos
sorriu com o passar de uma brisa
sei que estás aqui
alegria

Sinto a leveza da ausência ...
... vazio ...
para onde foi?... dissipou-se
dissolveu-se numa brisa de pureza
luz eterna
que é o teu ser

21.12.07

Feliz Natal !!!!!




27.11.07

Paixão Carocha


Acompanhou-me desde a infância até à adolescência ... não cheguei a poder conduzi-lo, mas a paixão ficou e é eterna :-) Estes veículos são fantásticos! Máquinas robustas feitas para a guerra e para o povo.
Esquecidas as guerras, ele passou a ser o máximo da confiança e durabilidade que tanto apreciamos, mas que hoje em dia já não é política existente ... Volkswagen "O carro do Povo"! Vivam os Carochas ou Joaninhas como lhe queiram chamar :-) e até mesmo as famosas carrinhas intituladas "Pão de Forma" devido à sua forma.
Tonteiras de miúdos ... até lhe faziamos festas de aniversário :-) Gandas malukos!!!! eheheh
Que me perdoe a Volkswagem, mas a sua tentativa de devolver o Carocha à modernidade, fez dele uma "boneca de cidade". Sem dúvida, um veículo muito confortável e prático de manusear, mas com pouca bagageira e muito pouco acessível ao Povo. Aliás, a VW já deixou de ser o "Carro do Povo" há muitos anos luz ... diria que é mais uma marca de elite com dois modelos de gama média relativamente acessíveis.
A marca não conseguiu devolver o misticismo daquele carrinho redondo, construído em ferro e com ar de menino traquina sempre pronto para a brincadeira :-) A paixão mantém-se pelo velho amigo!

12.11.07

Chegou o final ...



... que na proa de uma nuvem se desloca, propagando o negrume de uma noite sem lua ... será este mesmo o prenúncio do final?? Certamente o final deste dia e certamente o início do próximo que virá e que se erguerá no horizonte com todo o seu esplendor. Brilho celestial que nos aquecerá o corpo e a alma, nos renovará energias e dará alegrias!

7.11.07

Um dia no Sobralinho

Já há muito tempo que queria fazer uma gracinha destas :-) Aqui vai um miminho para o grupo de pessoas que se juntaram para conviver e aprender um pouco mais. Obrigada e sempre bem vindos!!!



6.11.07

Quero sentir ...

... a tua face gelada, o teu ser cristalino, a tua alma translúcida divina e pura ... líquido é o teu intimo ... o frio congela e sufoca a tua fonte, onde muitos desejam saciar a sua sede ... ... ... chegou o Inverno e com ele a neve, o gelo, a precariedade de alimento.Sei que a tens aí, mas não lhe consigo chegar para terminar com esta sede que me rasga a garganta ... sinto-me a secar e definhar como as folhas das árvores que já consumiste com tua distante indiferença ... chegaste, Inverno ...



Bom, na verdade, temos Invernos envergonhados, mas também não vivemos num país em que os lagos congelam ... já não se pode dizer o mesmo das poças que encontramos pelo caminho :-) Lembro-me de quando andava na secundária ... era uma alegria pisar o gelo das poças e vê-lo estalar. Coisas de miúdos que ainda trazem um sorriso aos lábios :-) Sim sim ... eu sei que ainda estamos no Outono, mas apeteceu-me :-) Os pensamentos são assim mesmo, fluem como as águas de rio. Tudo serve de desculpa ... um sorriso, uma imagem, uma lembrança, um sentir ... e lá se soltam as palavras!






23.10.07

Aguardo vazia ...



... pela tua chegada. Fiquei aqui sentada a um canto, esperando por ti velhice, que um dia chegarás. Sobre esta luz ténue e aconchegante passaremos longas horas e muitas memórias, palavras, imagens serão recordadas ... muita solidão será chorada ...



9.10.07

Alma Pura



Alma pura
que perdura
num jardim de pétalas
harmonias sem fim
onde o branco impera
leveza liberdade
amor amizade
breve tremor
que apenas pede
um gesto de atenção
uma gota de carinho
embrulhada num sorriso
e num abraço macio

7.10.07

21.9.07

Mar ... que te insinuas

Mar
Que te insinuas
À Serra
À Costa Encosta
Que correm ao teu encontro
Se perdem nos teus braços
Se entregam às suas carícias
E tu, libertino, devasso
Afagas as suas curva
Acaricias os seus flancos
Roças-te
E elas, seduzidas
Abandonam os seus corpos
À tua volúpia,
É então que tu
Com fulgor, ardor
Inundas, penetras
As suas entranhas, seus ventres
Sobes, sobes
Tornas-te animal, carnal
Vais e vens
Com fúria fustigas
A chama cresce, cresce
Cobres de branca espuma
Ferves, abrasas
Incendiadas, elas vibram, gemem
Acarinhas
Arrefeces
Frio e calmo, recuas, afastas-te
Para trás elas ficam
Húmidas da tua espuma, seiva
Rendidas à tua sensualidade
Instinto animalVoluptuosidade

10.9.07

Para os amantes de chocolate …

Chocolate sempre foi o meu doce preferido e naquele preciso dia de Inverno necessitava mesmo de um mimo.
Após o dia de trabalho fui até um local em que o chocolate quente é especialmente delicioso. Só o aroma que paira no ar já faz a alma suavizar-se e esquecer-se de tudo … correria correria … mas ali até se esquecia a azafama das pessoas e a chuva intensa que caía. O ser entorpecia como se caísse num sono profundo … o mundo virava magia!
Fui interrompida e voltei um pouco à realidade … o meu chocolate quente estava agora sobre a mesa e o seu aroma era de facto inebriante. Mexi com a colher e apreciei a sua textura espessa e castanha escura… puro chocolate, tal como gosto. Estava mesmo muito quente e era uma óptima desculpa para o degustar calmamente … como se precisasse de uma desculpa …
Soprei um pouco e levei a colher à boca … … divino! Dei por mim a degustar aquele chocolate espesso como se de um pedaço se tratasse … senti-lo derreter e a inundar as papilas gustativas antes de se esgueirar suavemente de forma lasciva e sensual pela minha garganta … quase apetecia gemer de prazer … não resisti a sorrir depois deste pensamento malandro e isso deu-me ainda mais prazer.
Após uma longa e saborosa hora, regressei a casa com energias renovadas e um sorriso nos lábios ... até esqueci o cansaço e o dia louco que deixei para trás. Aquele chocolate quente soube tão bem quanto uma massagem relaxante :-)

7.9.07

Encruzilhada ...


Encruzilhada de caminhos perdidos nas nuvens de um céu imenso e nas artérias das vidas terrenas.


Encruzilhada de pensamentos dispersos e sonhos que parecem demasiados longínquos, quase inatingíveis como o céu que tentamos agarrar, mas que não passa de ar que se esvai entre os nossos dedos.


Encruzilhada ... ponto de partida para uma nova etapa ou apenas a chegada a uma mão cheia de nada.

4.9.07

Expressões ... Sentimentos



Por vezes a indecisão é total, por vezes funde-se confunde-se ... tristeza alegria ... angústia felicidade ... deprimente sorridente ... um palco bem montado onde todos os sentimentos são possíveis, apenas, com algo a que chamamos estados de humor.

29.8.07

Afirmação do Eu

Eu sou quem sou
E ninguém mais,
Porque sou
Aquilo que sou
E nada mais.

As pessoas dizem
Que não devo ser
Aquilo que sou.
Mas eu sou quem sou
E ninguém mais.

As pessoas dizem
Eu escuto,
Mas não ouço.
Sou aquilo que sou
E nada mais.

As pessoas dizem
Eu digo
As pessoas olham
Eu olho
As pessoas tocam
Eu toco
As pessoas ...
E eu?

Eu sou quem sou
E ninguém mais.

27.8.07

Vitíligo (Dermatologia)


Bem, vou escrever algo bem diferente, mas tenho de contar esta história até porque pode ajudar outras pessoas.


Em meados de 2005 e após utilização de um creme facial recomendado por um Dermatologista, a minha pele sofreu uma descamação devido à errada prescrição do creme. Desde aí surgiram duas manchinhas de despigmentação, as quais foram atribuídas à descamação da pele e que não teriam solução … resignei-me com o facto apesar de não ter gostado da ideia.


No início de 2006 notei que essas manchas tinham aumentado um pouco e a partir daí foi galopante. Em pouco tempo tinha uma área considerável de pele despigmentada que já era bem visível e não dava para ignorar. Informei-me sobre a doença e obtive dois diagnósticos possíveis … poderia ser a chamada Micose de Praia ou Vitíligo. Fui falando com pessoas para tentar chegar aos melhores especialistas em Dermatologia e obtive dois nomes … ambos me deram o mesmo diagnóstico … era Vitíligo. A partir daí, passei a usar diariamente um protector de bloqueio total de raios solares e um gel regulador da despigmentação, receitados pelo segundo médico que consultei. Este especialista também me mandou fazer análises gerais e ao sistema imunitário.


Este tratamento fez parar o alastramento da doença, mas por pouco tempo. Voltei a consultar o Dermatologista que me respondeu com um ar desolado - "Se continuar a aumentar, só temos uma solução … despigmentar a pele do rosto por inteiro." - Achei aquilo arrepiante e inconcebível, por isso não me resignei e continuei à procura de uma solução. Entretanto, no local de trabalho, reparei que um colega tinha pele despigmentada, mas que estava a ficar melhor e perguntei-lhe o que era … respondeu - "É Vitíligo e estou a fazer um tratamento espanhol, pois cá não me davam solução! Obtive o contacto através de outros colegas que também tinham este problema e que já se curaram. Outros que estão ainda em tratamento, mas todos com resultados positivos." - Acendeu-se uma luz e uma grande nota de esperança :-)


Fiquei com os contactos e ponderei os custos … consulta, medicamentos, alojamento, alimentação e combustível para a viatura … não seria fácil, mas era motivo para arriscar e, em Agosto de 2006, lá pus pés a caminho … quer dizer … pus rodas a caminho :-) Pois que ir e vir são cerca de 1.300km.


Ao consultar a especialista, fui informada de que geralmente são conseguidos resultados mais rápidos no tratamento do rosto, por ser um local de maior irrigação sanguínea. Felizmente era o meu caso! Nem tudo podia ser mau :-) Esta doença aparece com especial incidência nas extremidades do corpo … rosto, mãos, pés e orgãos genitais, podendo alastrar ou mesmo aparecer noutras zonas do corpo.


Hoje, passado um ano, já só tenho um pinta de Vitíligo que já nem é visível a olho nu :-) A Dra. Virginia Sánchez-Muros Lozano consegue ajudar e é uma pessoa muito acessível. Atenção para o facto de a cura da doença não ser garantida, pois tudo depende da forma como o organismo de cada um responde aos medicamentos. As diversas fases do tratamento que é adequado para uma pessoa, pode não ser igual para as outras.


Os medicamentos vêem de Espanha e existe uma farmácia que trabalha com o consultório, que facilita o envio dos medicamentos através de correio expresso. Aconselho que os medicamentos sejam comprados antes do regresso a Portugal, podendo recorrer a qualquer farmácia. Aqui vão os contactos para quem quiser arriscar e … petiscar :-)

Dra. Virginia Sánchez-Muros Lozano
Especialista en Dermatología
Avenida de la Constitución, 25
18014 - Granada
Telef. Y Fax: +0034 958 200 618

Osorio Centro Auditivo
Farmácia, Centro Óptico, Centro Tratamiento Cosmético
Edifício Osorio - Reyes Católicos, 12
18009 Granada
Telef.: +0034 958 221 260 / 226 731
Fax: +0034 958 210 067
E.mail:
osoriotecnico@terra.es

Existe muito mais informação sobre esta doença e apresentação de tratamentos, mas eu preferi agarrar em algo que me dava resultados concretos e que vi com os meus próprios olhos.


Poderei dar mais informações caso necessites. Deixa o teu contacto de e-mail ou telefone no comentário.

13.8.07

Embarcam num delírio

Embarcam num delírio
Devasso devaneio
De brisas loucas de paixão

Corrupio de emoções
Sentidas à flor da pele
Atordoam o cérebro

Por momentos preenchem vazios
Respiram ofegantes
Embriagados de suor e odores

… nada é real …

O momento esvanece
Os corpos esfriam
Os sentimentos são inexistentes
Vazio …
Resta apenas um vazio
Que arrasa corações

Um véu de ilusões
Preenche vidas enredadas
Presas … perdidas na solidão

10.8.07

Apeteceu-me dar-vos música :-) EVANESCENCE

Gosto do teu jeito ...



Gosto do teu jeito …
reflectes no dia o brilho da noite
o encanto de mil estrelas
como pingentes flutuantes
prata luzidia
que encandeia e extasia

No teu brilhante ondular
deixo partir a tristeza
uma enguia escorregadia
que não tento recuperar

Perco-me em ti
como num sonho
de tons suaves e cintilantes
Perco-me nos teus odores
espasmos de mil sabores
que enchem os sentidos

8.8.07

Papel de Embrulho


Oferecemos prendas aos amigos, mas sabemos que os verdadeiros amigos gostam de nós de qualquer jeito … então porque damos bens materiais que às vezes nem têm significado algum?

Estranhamente alguns destes objectos assumem um espaço importante apenas porque os ligamos a um momento ou, tão somente, porque realmente gostamos do que nos é oferecido.

Não seria mais viável oferecer uns minutos da nossa vida diária aos nossos amigos? Uma mensagem, um telefonema, um e-mail … hoje é tão fácil comunicar.

Arranjei uma caixinha forrada com papel de embrulho e aí vou depositando carinhos e atenções … de vez em quando abro-a e envio um miminho para alguém sempre especial para mim e que habita um dos muitos cantinhos da minha vida!

uma Pinga ... um Mundo

Observo as pingas de água a mergulharem no riacho e por momentos esqueço as agruras do mundo. Nem tudo à nossa volta é belo e simples como esta subtileza da natureza.

Quantas vezes olhamos para o lado quando vemos um mendigo a dormir na rua? quantas vezes vemos crianças todas sujas a estenderem uma mão esperançosa por ter o retorno de algo tão insignificante para os demais seres humanos, mas tão importante para elas? Quantas vezes nos arrepiamos com as doenças e a falta de comida ao vermos seres humanos que mais parecem cadáveres com vida? Juntem tantas outras misérias que vocês bem conhecem …

Passamos o tempo demasiado preocupados com a nossa vida e não conseguimos sair dela. Criamos um circulo que nos faz rodopiar e chegar a lado algum. Mergulhamos nas nossas profundezas, mas não nos vemos. É como se não nos sentíssemos a nós próprios … esquecemo-nos de olhar por nós e esquecemo-nos de tudo o que já construímos. Falta-nos sempre algo … algo mais que a sociedade exige, mas que na realidade nem precisamos, porque já temos tanto comparado com a maioria das pessoas que deambulam por este mundo. No entanto, procuramos sempre ter mais, tentando seguir a linha de evolução “normal” para qualquer ser humano.

Quanto menos se tem e se sabe, mais feliz se é … … será isto verdade?? Não sei e nem quero saber porque perder tudo seria pior do que nunca ter tido nada.

Deixo o meu pequeno mundo mergulhar em sintonia com as pingas e observo o seu dissolver na corrente do riacho … é isso que ele é … uma pequena pinga!

7.8.07

Notas adocicadas



Num final de tarde iniciei a minha viagem para o Porto. A minha amiga Fátima iria estar à minha espera ... é sempre óptimo estar na companhia dela. Quem não gosta de estar na companhia de quem nos entende na perfeição?!

Faço esta viagem há cerca de sete anos, mas esta terna luz de final de dia revelou segredos cheios de doçura. As margens do rio suavizaram-se, as copas das árvores e os campos acalmaram, os animais pastavam com a languidêz de quem goza a vida. As pontes romanas renasceram e convidavam à sua travessia ... até os caniçais param de se agitar só para apreciar este suave irradiar de pura tranquilidade.

... sete é um número mágico ... será que foi ele que encheu esta viagem com tantas notas adocicadas?!!...



29.7.07

Na Maré de ti - (Música de Gil do Carmo)

Vejo o teu olhar tranquilo,

E uma serena ausência, amor
Madrugada suave no cais
Olho-te bem nos olhos, sim
Choro reflectido no rio, no rio

Fiz-me ao mar de manhã,
Na maré de ti, ao amanhecer,
Fiz-me ao mar de manhã
Na maré de ti, ao amanhecer

Pelo mar adentro vou entrando
Como o teu semblante na memória, amor,
Pescador de sonhos
Vivo a faina pura, dia-a-dia,
Na incerteza de uma vida
Meu amor, eu volto

Fiz-me ao mar de manhã,
Na maré de ti, ao amanhecer,
Fiz-me ao mar de manhã
Na maré de ti, ao amanhecer

Fiz-me ao mar de manhã,
Na maré de ti, ao amanhecer,
Fiz-me ao mar de manhã
Na maré de ti, meu amor, ao amanhecer!

25.7.07

Aqui ...

… esperamos por ti ... aguardamos a tua companhia. Trás o teu corpo e descansa em nós. Relaxa e sente o doce toque solar que bronzeia a tua pele e tranquiliza o teu ser. Trás contigo companhia e alegria ... abandona o teu corpo e deixa que os teus sentidos sejam invadidos pela leveza do terno calor do amanhecer.

Descontraidamente



Descontraidamente passeiam, lêem, brincam ... deixam seus seres voar como pássaros nas asas do vento. Envoltos em carícias e sonhos nada abaláveis pelo desalento de um tempo cinzento que o sol teima em romper. Raios de luz ... brisas de alento sopradas suavemente num leve tremor que enche de amor o coração ... e ... nele espelha dádiva do saber dar e estar presente quando os demais estão ausentes.

14.7.07

Simetrias


Simetrias escritas no vento que passa e deixa vazias as linhas do passado que se interliga com um presente despido de tempo para parar e apreciar.

Simetrias curvas esquecidas num passeio qualquer e que olham os transiuntes com olhos de quem pede um abraço amigo, um aconchego do coração, o calor de um corpo em puro repouso ... não há tempo para parar e abandonar ao vento a mais infima atenção.

Simetrias que continuam a querer quebrar o corropio do quotidiano de quem não espera para perceber que descansar é urgente antes que a alma rebente.

25.6.07

Ondular de um Rio


Desde o momento que tirei esta foto soube que a iria escolher.
Apesar de ter sido tirada em Almada, ela simboliza para mim, o limiar entre o crescimento civilizacional e o puro ondular das águas que passam calmamente e que beijam a face da cidade onde nasci … Lisboa!



Em criança habituei-me a contemplá-lo e já adulta, escolhi uma casa de onde posso admirá-lo.
Ao Rio Tejo que povoa as margens onde milhares de pessoas constroem as suas vidas!

25.4.07

Porto de Abrigo


Esperança de amor
alegria prometida
num conter de um abraço
como enlaço
de uma corda corrente
que segura e prende
sem violência deprimente
mas fervilhante de euforia
embolia de emoções ...









Desabrochar de um Sorriso




Sorriso
alegria no olhar
euforia na alma
Amor e calma

Sorriso
no florir de uma flor
beijada pela abelha
e pela centelha de luz
O desabrochar do sol
que ilumina a vida
e no calor da ternura, reluz

8.3.07

Um dia especial


Já há muito tempo que não escrevo neste diário tão virtualmente visitável e onde se permite que os demais viajantes deste espaço sem limites, conheçam um pouco mais de nós ... ou será que isto nada revela sobre quem realmente somos? O limiar da invasão permitida da privacidade e a partilha de experiência, pensamentos que contemos e vivenciamos.

Escrevo hoje, porque sou Mulher ... gosto de o ser, tenho orgulho e sede de viver com todos os sentidos e sentimentos que só uma Mulher sabe reconhecer e saborear. Os prazeres da alma a que raramente nos entregamos nesta vida de correrias e malabarismos quotidianos.

Viver, sorrir, amar, vivenciar pequenos grandes nadas ...

9.2.07

Limiar do Invisível ... do Ser


No limiar do invisível vejo o ser que em mim habita.

Tento recompor-me de tamanha surpresa ... tento perceber as imagens que os meus olhos transmitem aos meandros do meu cérebro.

Invisível ... se vejo não pode ser invisível esse ser que vive no corpo que detém esta mão que se expressa com as letras de um cérebro confuso. Um ninho de células e fios codutores que recusa perceber que a sua alma se eleva e se revela ... luz ténue quase impercetível para que não seja notada pelos demais transeuntes desta vida terrena.

3.2.07

Escrito nas pétalas

Nas pétalas de uma rosa encontrei desígnios … “Muitas vezes te perdeste , muitas mais vezes te perderás por ruas e ruelas até conseguires encontrar o teu caminho, mas só o conseguirás se lutares, se manteres a esperança e nunca desistires.”

27.1.07

Pintei o céu ...

Pintei o céu com o perfume das rosas e dei um toque de esperança ao passado moribundo que teima em manter-se presente e imponente, mesmo tendo tomado um sentido vago e vazio ... gasto de tanto persistir e de nada conseguir ... ... ou ... ... será que somos nós que não o abandonamos? Agarramo-nos ao que já não tem significado só porque temos medo de prosseguir e viver novas experiências.

Acomodamo-nos num espaço que não é o nosso e ficamos por lá infelizes e perdidos, à procura de não sei o quê ... quando, na verdade, deviamos estar à procura de quem somos realmente e de tentar, a todo o custo, viver e realizar os sonhos que tanto nos fazem sorrir!

23.1.07

Momentos na vida ...

... momentos em que o que mais nos apetece é arrancar essa pessoa dos nossos sonhos e abraçá-la com toda a força ... a força do carinho e da amizade, que é suave e terna. Dizer "amo-te" ou simplesmente "gosto de ti" "tive saudades de ti" ...

Quantas e quantas vezes deixamos de expressar o que sentimos? Quantas vezes nos coibimos de dar um carinho físico só porque achamos que vamos ser mal interpretados ou repudiados? Porquê?...

14.1.07

Palavras ...


... por vezes dizem tanto e outras tão pouco ...

Palavras belas sopradas ao vento como brisas de alento.
Palavras como pingas de cristal tão raras como pérolas negras.
Palavras usadas em vão como um vazio imenso.

... tudo depende de como são ditas ... de quem as diz e das suas intenções ...

Há quem diga "amo-te" tão facilmente como quem diz "vou tomar café". Usam os sentimentos que as palavras identificam, para satisfazer caprichos e brincar com os outros ... como se tudo na vida fosse um jogo.

Afortunado é aquele que conhece o significado de cada palavra, mas que principalmente conhece o significado de cada sentimento e do valor humano de cada um de nós ... elas são verdadeiras pingas de cristal!

9.1.07

O Sorriso ...

...
Não custa nada e produz muito.
Enriquece quem o recebe sem empobrecer quem o dá.
Só dura um instante, mas a sua recordação é por vezes inesquecível.
É um verdadeiro antidoto que a natureza guarda sem reserva, para todos.
Se lhe recusam um sorriso que merece, dê o seu.
Com efeito, ninguém tem maior necessidade de um sorriso que aquele que não o sabe dar aos outros.

Extraído de um poema gravado numa pedra de um Mosteiro da Alsácia.

7.1.07

Reflexos da Mente

A caminho de casa passo por umas vivendas já com alguns anos de existência. É uma zona pacata e numa dessas casas habita um rapaz que calculo que tenha deficiência mental … não sei precisar se será esse o problema. O seu corpo evoluiu de acordo com a idade, mas a sua expressão facial e atitudes não são idênticas às dos seres mais comuns.

O seu passatempo é acenar a quem passa de carro … penso que o mínimo que podemos fazer é responder. Não custa nada e ele fica feliz. No entanto, dou comigo a pensar o que será dele quando os pais já não tiverem força para o ajudar ou quando falecerem … por certo terá duas hipóteses - ficar a cargo de familiares ou a cargo da Segurança Social que o encaminhará para uma Casa da Misericórdia ou para um Lar. Em qualquer um dos casos a sua realidade será quebrada. Tudo aquilo que faz parte do seu mundo, desaparecerá. Será que irá ter capacidade para compreender o que aconteceu?

Por trás da rua dos meus Pais existe outro rapaz, que conheço desde que me entendo por gente. O seu corpo também evoluiu, embora com alguma deficiência nos membros inferiores, pois o seu cérebro não lhe permite controlar totalmente os movimentos.

Durante muitos anos também ficava a ver os carros que passavam e a sorrir com as pessoas que andavam por ali e o conheciam desde criança. Mas, as dificuldades monetárias aumentaram e os pais deixaram de ter capacidade para gerir a casa com, apenas, um ordenado. Ambos tiveram que trabalhar e apelaram ajuda à Santa Casa da Misericórdia de S. Pedro. O seu pedido foi respondido e todos os dias a carrinha vem buscar o rapaz, trazendo-o novamente ao final do dia. Saio cedo para o trabalho e são muitas as vezes que passo pela carrinha ou tenho mesmo de esperar que ela arranque para poder continuar o meu caminho.

A realidade deste rapaz já é um pouco mais ampla do que a do outro jovem que gosta de acenar a quem passa. Ela já está habituado a conviver com outras pessoas fora do seio familiar. Um dia terá, apenas, de se habituar a passar a noite nessa casa e na companhia dessas pessoas. Irá ser fácil? Penso que não, pois cada final de dia esperará pelo regresso a casa e ao abraço terno dos pais, mas … isso não acontecerá … até que tudo se torna rotina e o passado desvanece. Pelo menos queremos acreditar que é assim.

Era óptimo que a ciência conseguisse detectar a mínima deficiência ou alteração genética … só que muitas doenças só se revelam ou surgem depois de alguns meses ou anos de vida. Também não se podem pôr de parte os acidentes de viação que causam danos cerebrais e físicos irreversíveis.

Eternos amantes ... Eternos rivais

Eternos amantes
Eternos rivais
O amor os une
O amor os separa
e não ampara a vertigem
a distância que habita terras e montes
aparta suas colinas
e afasta as suas pontes

Esplendorosa e luminescente
Coroada de brancura
e jardins de ternura
azul de luxuria
Com o rio a seus pés
mal deixa um vislumbre
da euforia da outra margem
do outro lado ... gente
formigas ao longe
Ela bela e imperiosa
de braços abertos para a vida
ostenta sem medo
tesouros sem fim
que repousam no frenesim
nada teme
nem os homens do leme

Sombrio e misterioso
encerra em si luxuria contida
Discreto
fervilha de vida
Sangue na guelra
Força de dragão
ergue fortalezas de montes e vales
rio estreito, quase impenetrável
teme apenas a tomada dos vikings
hábeis sorrateiros
que atacam no nevoeiro
é aí que tomado de surpresa
mostra toda a sua beleza
esplendor de cultura
que perdura
e não se esvaí no turbilhão do dia-a-dia

Ela com espaço para o conter
e Ele querendo ser contido
porque não resolver
esta guerra sem sentido?!

1.1.07

Seres Interiores


Nas tuas linhas me fundo e visito os seres do teu eu mais profundo.